No passado mês de julho, em , sob o tema: Educação ambiental e ação local: respostas à emergência climática, justiça ambiental, democracia e bem viver, sob organização da Rede Lusófona de Educação Ambiental (Rede Luso), que envolve países da CPLP e Galiza.
Durante uma semana, diferentes agentes de educação ambiental, desde as mais altas instâncias governamentais, académicos, investigadores, professores, educadores e técnicos, estiveram presentes para debater a Educação Ambiental e potenciais estratégias para os desafios que o planeta enfrenta.
Num palco único para a reflexão, discussão e partilha, foi passível compreender que, apesar das enormes diferenças territoriais, prioridades ambientais e níveis de consciência ambiental, entre os diferentes países da CPLP e Galiza, há um elemento aglutinador e transversal a todos – a resiliência na procura de um planeta mais sustentável.
Sob esse foco, foram partilhados dezenas de projetos inspiradores e mobilizadores, em diversas áreas ambientais, com escalas e contextos diferentes, que demostraram ser possível gerar mudanças; que é possível transformar territórios e cidadãos através da junção do conhecimento científico e da educação ambiental. Que é possível inverter o declínio ambiental de áreas urbanas, florestais ou agrícolas, em comunidades mais ou menos desenvolvidas, com projetos articulados entre os diferentes agentes locais e as comunidades; que é possível consciencializar para a urgência da transição verde, mesmo em países com maiores dificuldades económicas, através da definição de estratégias publicas; que é possível consciencializar as comunidades, mesmo as mais vulneráveis, se atendermos às suas reais necessidades, empoderando-as e envolvendo-as nas tomadas de decisão, criando vínculos e compromissos com a mudança.
Foi neste contexto, que o Laboratório da Paisagem contribuiu com a partilha de alguns dos seus projetos de educação ambiental mais emblemáticos, numa comunicação intitulada – “O impacto das metodologias de participação e cocriação nos projetos de educação ambiental”, comprovando que as mudanças se fazem com políticas horizontais, onde cidadãos, cientistas, técnicos e dirigentes discutem e partilham o palco durante as tomadas de decisão. Projetos como o Bairro C- Compromisso carbono zero; Metrominuto; Eco Parlamento; Limp.Ar; CApt2; Ave para Todos; Miniflorestas, entre outros, foram destacados como casos de sucesso na consciencialização ambiental, mudança de comportamentos e transformação territorial.
A nível pessoal, a participação no Congresso de Manaus foi uma experiência inesquecível, não só pelas aprendizagens, rede de contactos, sinergias e oportunidades de trabalho futuro, mas sobretudo pela constatação perturbadora de que o mundo corre, de facto, a velocidades muito diferentes no que concerne às questões ambientais, evidenciando que há um longo e árduo caminho a percorrer e um trabalho inesgotável. Ainda assim, há também fortes sinais de esperança (palavra mais proferida durante o Congresso), reflexo de posições governamentais mais conscientes e sustentáveis, projetos revolucionários ou movimentos inspiradores, que instigam todos aqueles que diariamente dedicam o seu tempo e trabalho às questões ambientais, a fazer mais e melhor, num verdadeiro sentimento de que vale a pena agir na construção de um futuro melhor para a nossa casa-comum.
O VIII Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa, contou com uma comitiva portuguesa de cerca de meia centena de entidades, entre as coisas, representantes do governo português (Ministério da Educação), Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Associação Bandeira Azul Ambiente e Educação (ABAEE), Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), diversas ONG’s do foro ambiental, investigadores de academias de norte a sul do país, municípios, docentes e estudantes.
Susana Falcão
Coordenadora de Educação para a Sustentabilidade do Laboratório da Paisagem